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sábado, 20 de julho de 2013

Rock Me - Ultimo capitulo

— Não brinque com isso, Harry.
— Não estou brincando.
— É claro que você não está brincando. Ah, e meu nome é Lady Gaga.
— Porque acha que não estou falando sério?
— Porque é impossível.                    
— Não é impossível. Se eu não quisesse me casar com você, eu teria me preocupado em comprar um anel?
— Você não...
                Eu nunca havia visto nada de mais em joias, mas essa realmente me surpreendeu. Não era tão verde como uma esmeralda. Era mais sutil, suave. Me lembrava alguma coisa... Que eu não sabia o que era. 

— Sim, eu faria isso.
— Não sei o que fazer.
— Não tenha pressa de me responder, Alice. Só... Leve isso com você.
¥
                Eu não sabia o que fazer. Não queria falar isso com ninguém, nem mesmo com Flora. Eram mil coisas em minha cabeça: Casamento, madrinha, vestido, Harry, Pezz, anel... Tudo ao mesmo tempo. Porque essas coisas só acontecem comigo?!
                Eu e as garotas da Little Mix estávamos tentando acalmar Perrie ao máximo. Quase pedi para elas me acalmarem também. Eu tinha que pensar. Eu queria não ter um motivo para pensar. Mas eu tinha.
                O pior de tudo é que eu nem podia me empanturrar de comida. Eu ainda tinha que entrar no vestido. Quando não estava no trabalho ou em Londres, afundava no sofá com a caixinha nas mãos. Minhas reportagens estavam até sentimentais.
                Na quinta, não aguentei e liguei para Flora. Eu precisava de uma segunda opinião. Ela disse que essa escolha cabia a mim, mas que ela aceitaria. Segundo ela, ele era muito gostoso e fofo. Típico.
— Siga seu coração, Alice.
— Eu não posso seguir algo que está dentro de mim.
— Idiota. Porque você não diz sim? Qualquer garota normal diria isso.
— Eu nunca fui muito normal mesmo.
— Você poderia perguntar a algum deles sobre o que Harry realmente acha de você.
— Ou... Eu poderia falar com alguém mais próximo e que pode me dar essa informação.
                Eu estava falando de Anna. Sim, eu a conhecia. Ela foi fazer uns shows no Rio e eu a entrevistei. Ela era legal e estava sempre com Louis e Harry. Talvez eu pudesse perguntar sobre isso indiretamente! Perfeito!
— Oi Pezz! Você sabe como eu posso falar com Anna?
— Seria meio difícil nesse momento...
— Porque?
— Ela entrou em turnê.
— Você tem o número dela?
— Não, mas... Talvez Louis tenha.
— Ah, sim. Obrigada.
                Minhas chances haviam caído de 78% para 0%. Eu não queria falar com ele. Eu mal o conhecia, e talvez ele achasse estranho eu pedir o número de sua namorada. É, só tinha eu e eu. Teria que pensar em alguma coisa. Rápido.

¥
                Eu nunca gostei muito de usar vestidos. Principalmente os longos. E fofos. Não deveria ter deixado Pezz escolher por mim. Mal conseguia me equilibrar nos saltos gigantes. Nunca tinha usado tanto rímel. É, me lembrei porque nunca ia em casamentos.
                Eu me sentia tão estranha. Meu estomago estava dando reviravoltas e me sentia nervosa. Como uma adolescente. Isso não muito comum para mim, mas especialmente hoje eu me sentia assim.
                Saindo do carro, me deparo com uma cena que dispensaria. Harry está andando pelo pátio, e nossos olhos se encontram. Ele não vem até mim. Apenas ficamos alguns longos segundos tendo uma conversa por olhares.

                Ao entrar na igreja, sentei-me ao lado das garotas da Little Mix. Elas também eram madrinhas. O problema é que meu lugar ficava estrategicamente atrás dele. Seria uma longa cerimonia.
¥
                Tudo tinha sido muito lindo. Fofo, diria Flora. Perrie estava mais do que feliz, e sua felicidade era contagiante. Teve uma festa depois, e eu fui. Contra minha vontade, é claro. As garotas insistiram.
                Os convidados que tinham ficado, (os mais íntimos) falariam um depoimento num pequeno palco. Fiquei ainda mais nervosa, pois eu estava lá. Depois dos depoimentos de Jade, Jesy e Leigh-Anne, foi minha vez. Tirei os saltos e subi.

— Boa Noite a todos. Primeiro eu gostaria de dizer como estou feliz por vocês dois. Acredito que tudo ocorrerá bem com vocês. Bem, em segundo, eu queria dizer uma coisa totalmente isolada, mas que é de extrema importância para mim.
Sabe, os últimos meses muitas coisas tem acontecido comigo. Coisas tipo me mudar duas vezes e conhecer lugares incríveis. Também tiveram momentos de depressão e tristeza, mas acho que tudo já voltou ao normal. Eu acho.
Pensei sobre esse tempo difícil. Não foi nem um pouco legal. Por isso decidi mudar. Descobri que ficar em um lugar incrível não é bom se você não estiver com uma pessoa tão perfeita quando o local. É, não quero voltar a isso.
Baseado nisso, eu tenho certeza de que não conseguiria sobreviver sem quem me deu esse anel. Ela deve pensar que ligo muito para coisas materiais. Vou tentar não me ofender com isso. De qualquer forma vou usar esse anel, e se a pessoa estiver prestando a devida atenção no que estou dizendo, ouça isso: Não imagino passar o resto dos meus dias com outra pessoa. Então, sim.
                Agradeci a mim mesma por ter retirado meus saltos. Eu tremia loucamente e sentia que a qualquer momento eu iria cair. Não esperei que alguém dissesse alguma coisa: Sai correndo sem rumo. Bem, esse sem rumo era atrás da igreja.
                Era meio que um bosque. Tinha arvores e era iluminado, como um filme da Disney. Porque eu havia corrido? Onde estava a mulher forte que eu era? Ou que pelo menos costumava ser...
— Eu disse que tinha que parar de bancar a durona.
                Claro que era ele. Como num filme. Sorrindo. Aquele sorriso. Porque meu corpo havia parado de tremer? Estava tendo um quase-ataque epilético a segundos atrás. Eu corria ou ficava onde estava?
— Oi.
— Oi.
— Você... Ouviu?
— Tudo.
— Ah...
— Eu queria ouvir a sua resposta de novo. Só com nós dois agora.
                Ele se aproximou. Ficou a pouco menos de um metro de distancia. O suficiente para levantar meu rosto. Ele nunca tinha feito isso comigo. Era diferente. Prestei atenção em seus olhos verdes e lembrei me do anel. A cor da pedra era igual.
— Sim. Eu aceito.
— Promete que vai ser minha para sempre?
— Prometo.
— E também promete que nunca mais vai me deixar?
— Prometo.
— Eu te amo, Alice.
— Eu te amo muito mais.
                Nunca fiquei tão feliz por estar nos braços de alguém. Era tão confortável e familiar. Voltei a minha realidade. Eu estava noiva. Não era tão ruim. Na verdade, era como tirar um peso de meus ombros. Me sentia... Feliz.

— Eu prometo... Te dar flores todos os dias...
— Não precisa prometer nada.
—... E dizer o quanto sou feliz por ter você comigo.
— Eu adoraria isso.
— E também direi o quanto está bonita mesmo de manhã, quando acorda com o cabelo bagunçado e com pressa.
— Nem me lembre de meu cabelo bagunçado.
— Não se preocupe, eu acho sexy.
                Era minha vez de dar um sorriso. Como ele conseguia ser tão... Perfeito para mim? Eu nunca acreditei que eu poderia encontrar alguém para mim, uma pessoa chata e repulsiva, mas parece que finalmente encontrei um lugar onde me encaixo, ao lado dele.
¥
— Você está tão linda! Melhor do que eu no meu casamento!
— Não vamos exagerar, Pezz.
— Não é exagero. Nossa, estou com fome... Onde tem comida?
— Ali, naquela mesa. Tente se controlar. Você ouviu o que o médico disse.
— Sim, que eu não precisava comer pelo bebê também, mas eu não resisto.
                Bem, era hoje. Meu casamento. Novamente eu estava com um vestido longo (mais pesado) e um salto alto (só que maior). Eu pedi para usar um tênis comum, mas Pezz não deixou. Eu nem poderia discutir, podia não fazer bem ao bebê e Zayn iria ter um ataque.
— Já chegou todo mundo. Está pronta para entrar? – anunciou Jesy.
— Não.
— Nesse caso, vai ter que entrar do mesmo jeito.

                Dei o primeiro passo para o tapete vermelho. Todos se levantaram e olharam diretamente para mim. Me sentia como no dia da formatura, no momento em que peguei meu diploma. Eu não sabia se estava pronta, mas iria seguir em frente. Pelo menos eu poderia continuar... Ao lado de quem eu amo.


Muito obrigada a todas as minhas leitoras por me incentivarem a escrever essa fic. Eu não seria nada sem vocês! Espero que tenham gostado dela! Foi pequena, mas feita com muito carinho. Beijos e comentem!!

Rock Me - 8º capitulo

                Depois daquela tarde, eu tive certeza de que algo estava errado. Isso ficou mais evidente quando no dia seguinte Harry me ligou. Pezz tentou me distrair, falando sobre o casamento o tempo todo.

                Conversei com Flora. Na opinião dela, eu tinha que deixar os dados rolarem, e não dizer nada. Não era má ideia, contanto que eu conseguisse fingir. Na verdade, eu já estava cansada de tudo isso.
                Foquei no meu trabalho, fazendo minhas reportagens e textos. Decidi escrever uma nova história no meu tempo livre, para não ficar escrava da TV. Mudei meus móveis de lugar pelo menos 3 vezes, para ajudar na criação.

                Sinceramente, minha vida estava um tédio. Não tinha nenhuma novidade. Nos dias de semana era casa-trabalho-casa, nos sábados e domingos, casa-algumlugarquepezzmechame-casa. Que divertido.
                Na quinta, Harry me ligou. Parecia animado. Queria me ver no domingo. Eu não estava afim de sair aquele final de semana, e Perrie estava tentando se acalmar em sua casa, já que o casamento seria no sábado seguinte. Mesmo assim, aceitei.
                Iriamos nos encontrar na casa dele, de novo. Flora ficou com aquela voz maliciosa no telefone quando contei. Para ela, eu iria ganhar algum presente ou coisa assim. Queria poder pensar como ela.
¥
                Eu já estava pensando o pior no domingo. Às vezes quando Harry está animado não é muito bom. Quando nos encontramos, ele tinha o sorriso assustador-malicioso no rosto. Perguntei onde Louis estava e ele disse que havia saído com Anna. Isso não era nada bom.
— Então, o que você quer falar comigo? Eu tenho trabalho amanhã e não quero me atrasar.
— Trabalho?
— É. Hoje é domingo. E eu tenho que estar amanhã no prédio às 8.
— Tudo bem, serei rápido.
— Fale logo.

— É... Hm... Quer se casar comigo?



Capitulo pequeno, eu sei. É que estamos na reta final, e eu não quero colocar tudo de uma vez. Mas o próximo capitulo (o ultimo), será melhor. COMENTEM. Beijos!!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Rock Me - 7º capitulo

                É, meu dia não foi dos melhores. Não era só impressão. Todos estavam realmente olhando para mim. Tinha vontade de gritar “Vocês não tem vida não?!”. Eu sou louca, mais ninguém precisa saber disso.
                Flora me ligou. Disse que estava feliz por mim e que nas suas férias viria aqui em Croydon. Seria bom ter uma segunda companhia. A primeira opção é uma pessoa meio estranha, e por causa dela estou passando vergonha.
                A semana passou idiotamente lenta. Como o trabalho por aqui era menor (minha chefe era eficiente), tinha tempo para fazer tudo o que queria. O problema é que minha única opção era assistir TV.

                Na semana seguinte, Harry me ligou. Queria de qualquer jeito me ver. Eu não estava muito afim de sair de casa, mas aceitei. Se eu não fosse, ele diria que sou uma ingrata. Nos encontramos na sua casa. Digamos que a noite foi... Animada.

¥
— Como assim você já vai?
—Eu tenho o que fazer, Harry.
— E se eu tivesse algo bombástico para contar?
— Não mudaria nada. Te vejo depois.
                Era sábado. Dia de arrumar a casa. Antigamente eu sempre tinha Flora para me ajudar. Agora não mais. Quando estava preparada para começar a arrastar os móveis, meu celular toca. Número desconhecido.
— Alô?
— Oi... Você é a Alice?
— Sou sim. Porque?
— Sou Perrie. Harry me disse que você estava muito sozinha, então eu queria saber se quer ir ao shopping.
— Perrie Edwards, não é?
— Sim.
— Bem, eu estou muito ocupada agora, mas... Se quiser sair à tarde acho que tudo bem.
— Ótimo. Te pego em casa e então nós vamos nos Centrale...
— Você sabe meu endereço?
— Harry me mostrou pelo Google Maps.
— Ah... Sim. Ele está do seu lado?
— Claro.
—Diga a ele que eu farei vingança, ok? Te vejo depois.
— Tudo bem, até às 15.
                Acho que aquele idiota pensa que vou ficar depressiva só por passar algumas horas em casa. Agora eu teria que ir ao shopping. Depois de tirar algumas teias de aranha e de colocar os móveis nos seus devidos lugares, mandei uma mensagem para Harry, dando ênfase a minha retaliação.
                Arrumei-me como de costume. Talvez ela pudesse dizer que estou inadequada, mas... E daí? Eu não sabia muito sobre a Perrie, só que ela era de uma banda que Flora adorava. Parecia ser legal.

— Oi! Prazer em te conhecer!
— Ahn... Oi.
— Nossa, você é linda!
— Obrigada... Você também.
— Valeu. Hey, vamos na TOPSHOP.
                Não foi tão ruim. Tirando a parte de me fazer vestir varias roupas, foi muito legal. Ela me fez várias perguntas simples como qual era minha cor favorita, minha pedra favorita, minha cidade favorita... Sim, isso era suspeito.
                Bem, era evidente que ele estava aprontando alguma coisa e usava Perrie como desculpa para... Alguma coisa. O que Zayn devia achar disso? Tentei ignorar tudo isso e passei um final de semana tranquilo em Croydon.
¥
                A semana não foi muito diferente. Fiz algumas reportagens, revisei outras... Nada de novo. Flora me ligou, contando que precisava de um cara leal, protetor, sexy, romântico... Recomendei a ela um livro, um cachorro e um pôster. 
                Harry não me ligou. Em contrapartida, Perrie estava viciada em mim. Ligava tanto para mim, que eu me perguntei se Zayn não estava sentindo falta de sua atenção. Bem, isso não era problema meu.

                Aconteceu algo estranho na sexta. Pezz me ligou, mas com uma pergunta diferente. “Você pretende casar algum dia?”. Respondi que não sabia. Ela deu a desculpa de que iria se casar com Zayn, e que gostaria que eu fosse uma das madrinhas. Interessante.
¥
                As semanas passaram rápido. Harry só tinha me ligado algumas vezes. Flora comprou um cachorro e deu o nome dele de Justen. Pezz marcou a data do casamento e avisou aos fãs. Ela me chamou para escolher o vestido de noiva junto com Jade, Jesy e Leigh-Anne.
                Um dia, eu estava com Perrie numa cafeteria e ela pediu licença para falar ao telefone. Achei estranho. O que seria tão restrito que nem eu poderia ouvir? A segui silenciosamente e coloquei meu rosto na parede para ouvir.

“Tenha paciência! Ela ainda não está pronta para isso. Ela é meio instável. Deixe ela ver como é um casamento, depois você fala com ela. Ah, falando nisso, ela está achando estranho você nem ligar para ela. Tenho que desligar, tchau.”


Gente, desculpa pela demora e pelos capitulos pequenos, é que eu estou trabalhando em uma nova fic que publicarei depois de Rock Me... Beijos!!

sábado, 13 de julho de 2013

Rock Me - 6º capitulo



                Eu sabia o que tinha que fazer. Voltar para o Brasil não seria tão ruim. Liguei para o trabalho e inventei uma desculpa. Disse que minha vó tinha tido um infarto e que precisava de meus cuidados. Nem avó eu tinha.
                Arrumei uma pequena mala com algumas roupas e peguei o primeiro avião para o Rio. A empresa iria pagar a classe A. Estava tão ansiosa que mal conseguia dormir. Ao chegar, não pensei em ir o flat. Fui diretamente ao prédio, de mala e tudo.

— Alice? O que faz aqui?
— Bom dia. Eu... Vim pedir um favor.
— Fale.
— Estou gostando muito de Los Angeles, mas... Não teria um trabalho em Londres?
— Deixe-me ver... Não exatamente em Londres, mas em Croydon. Fica a uns 40 minutos de lá.
— Eu aceito.
— Tudo bem, aqui está a passagem. Pode pegar seus pertences em Los Angeles e depois ir direto para lá.
— Muito obrigada. Tchau.
                Finalmente aquela puta fez alguma coisa de útil. Voltei para o aeroporto logo peguei um avião para Los Angeles. Ouve uma pequena parada, mas logo eu já estava lá novamente. Arrumei minhas roupas em uma velocidade absurda, tomei banho e fui devolver a chave no prédio da empresa. Estava com muita pressa.
                Eu não gostava muito de viajar, mas a situação era preocupante. Demorou muito para chegar à Londres. Eu não conseguia ficar quieta no meu banco. As aeromoças já haviam me perguntado 3 vezes se estava bem. Que merda.

                Ao chegar, peguei um taxi até o Big Ben. Tentei me situar. Procurei no twitter informações das fãs. Quase não acredito quando leio que ele está no aeroporto, esperando para viajar para Los Angeles. Puta que pariu!
                Seriam 30 minutos até o aeroporto. Talvez eu não conseguisse chegar a tempo. Para meu azar, o transito não estava muito bom. Quando cheguei, corri para o portão de embarque. Não conseguia encontra-lo. Sentei-me num banco, aceitando que ele já tinha ido.
                Quando já estou pensando na quantidade de dinheiro que gastei com todas as vezes que peguei um taxi, alguma coisa me chama a atenção. Alguém fala muito ao telefone, dizendo algo como “Eu estou aqui ainda esperando o avião ficar pronto. Espero que ela me receba bem.” A voz era familiar.
                Viro-me em direção a voz. Fico surpresa quando vejo que é Harry. Ele parece cansado. Eu não sei o que fazer. Eu poderia correr até ele, ou gritar. Das duas formas, eu ia parecer uma louca. Talvez uma fã. Bem, estou bem longe disso.
                Resolvi usar os dois modos. Era mais conveniente. Ao chegar mais perto, chamei por seu nome. Por incrível que pareça, ele notou. Olhou como se estivesse pensando “Ela está mesmo ali?” Dei um sorriso. Isso é meio raro de acontecer.
— Alice, é você mesma?
— Não, a Ella Fitzgerald. O que você acha?

— Que bom que você está aqui! Olha, me desculpe, eu não deveria ter te deixado ir!
— É, meio tarde, não acha?
— Bem, você está aqui. Isso é... Ótimo!
— É só isso? Eu pego 3 aviões em menos de uma semana e...
                Tá, finalmente recebi o devido agradecimento. Não pensei que eu iria sentir tanta falta disso. Depois, fomos para sua casa. Era bem grande. Me senti pobre por um instante, mas ignorei isso.
— Você vai trabalhar aqui em Londres, não é?
— Se eu fosse morar aqui, eu teria que ter muita sorte, não acha? Isso só acontece nos filmes.
— Então... Vai voltar para Los Angeles?
— Não. Vou trabalhar em Croydon. Não fica longe daqui.
— É, não muito...
— Você pode sempre me visitar. Eu também posso vir aqui nos finais de semana.
— Eu queria te levar no London Eye hoje à noite.
— Eu tenho medo de altura, Harry.
— Eu seguro a sua mão.
— Eu prefiro que não.
— Então nos vemos hoje à noite? Eu te pego em casa.
— Não tenho escolha.
                Ele deu aquele sorriso malicioso e assustador que eu adorava. Assim que cheguei em minha nova casa, guardei minhas roupas no closet e assisti o replay da luta do sábado. Já eram 17 horas quando fui me arrumar para ir ao London Eye.
¥
                Eu não havia gostado muito. Sabe, fiquei com os olhos bem fechados na maior parte do tempo. Pelo menos ele conversava comigo. Quer dizer, me forçava a abrir os olhos em alguns momentos. Bem, não foi tão ruim.

                No dia seguinte, eu estava andando na rua a caminho do trabalho, quando vi uma banca de revistas. Parei para ler as manchetes. Nada muito diferente. Havia uma revista de fofoca que me chamou a atenção, com uma manchete em letras bem grandes.
Harry Styles sai com garota misteriosa
                Porque essas coisas horríveis só acontecem comigo? Desde quando eu sou misteriosa? Continuei andando em linha reta, sem olhar para ninguém. Apesar disso, parecia que todos olhavam para mim. Será que eu poderia ser tão azarada assim?

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Rock Me - 5º capitulo

                Na quarta, eu estava guardando as roupas que eu não iria mais usar até a viagem, quando a campainha tocou. O flat tinha caixas por todo lado, então torci para que fosse Flora, para me ajudar.
— Oi Alice.
— Harry? Você não deveria estar com os meninos?
— É, mas eu vim te dizer um “oi” antes de ir.
— Já deu seu “oi”. Pode ir.
— Hey, que caixas são essas? Está se mudando?
— Sim.
— Para que bairro? É perto do hotel?
— Não é nem um pouco perto do hotel, Harry.
— Então para onde você vai?
—... Los Angeles.
                A reação dele foi o que eu esperava. Ele entrou e se sentou no meu sofá. Ficou pensando, olhando para o nada por alguns minutos. Me sentei ao seu lado e esperei que dissesse alguma coisa.
— Los Angeles? O que vai fazer lá?
— Fui promovida e transferida para lá. Meu ultimo trabalho aqui era sua entrevista.
— Quando iria me contar isso?
— Eu não ia contar.
— Não acredito que depois de tudo... Você nem ia me contar.
— Eu não queria sofrer mais. Agora não adianta nada.
— É, não adianta nada! E você podia ter me contado!
— Cala a boca! Eu não sou surda!
— Tudo bem então. Eu vou embora. Ai você não vai precisar reclamar mais. Boa viagem.
                Ele se levantou e bateu a porta com força. Fiquei em silencio por alguns segundos, em choque. Depois fui até a porta, e olhei pelo olho-mágico. Ele tinha realmente ido embora. Comecei a chorar desesperadamente, e um vazio se abria em meu peito.

¥
                Na quinta, ele não me ligou. Não me visitou. Não mandou mensagem. Nada. Flora estava tentando me consolar, mas não tinha efeito. Eu não pensei que poderia ficar tão triste. Tinha muita dor de cabeça por conta do choro. Não queria comer, beber, nada. Eu queria apenas ele.
                No dia seguinte, peguei minha passagem. O voo seria às 00:30. Demoraria 13 horas no avião. Aquela vagabunda falou que a revista me daria um apartamento mobiliado. Flora me levou até o aeroporto. Logo, eu estava no ar.
                Eu sentia muita vontade de chorar, mas me controlei. Dormi na maior parte do trajeto, e não comi direito. Ao chegar em Los Angeles, um taxi me levou até meu apartamento, que já estava arrumado. Era uma cobertura. Tinha uma grande TV na sala. Depois de guardar minhas malas, fui tentar me distrair.
                Não tinha filmes muito bons passando, então desisti. Na minha varanda, fiquei observando a praia. Era linda. Me lembrou das tardes que eu e Harry passamos juntos. Tudo me lembrava ele. Isso não me ajudou nem um pouco.
¥
                No dia seguinte, conheci minha nova sala no trabalho. Era enorme. Tinha uma grande janela na parte de trás. Em minha mesa, poucos trabalhos completos. Olhei cada um com cuidado. Estavam todos muito bons. Na hora do almoço, liguei para Flora.
— Oi Alice! Como está tudo ai? Seu apartamento é legal?
— Sim. Muito espaçoso.
— Que bom. E você... Tem pensado...
— O tempo inteiro. Tudo me lembra ele. Até a cor da parede.
— Você deveria tentar sair com alguém. Iria ser bom pra você.
— Flora, eu acabei de chegar aqui.
— E dai?
— Tá, vou tentar. Falo com você depois.
¥
                Já haviam se passado 5 meses que eu estava aqui, em Los Angeles. Eu havia tentado me relacionar com outras pessoas, mas sem sucesso. Minha vida estava muito sem graça. Não queria ir a praia, nem ir ao shopping. Meu dia se resumia em casa-trabalho-casa.
                Um dia eu estava assistindo um programa que falava de shows, e começaram a falar sobre um show da One Direction em Londres. Por reflexo, peguei o controle para mudar de canal. Eu iria colocar no Animal Planet, mas algo me chamou a atenção.
                Harry não estava bem. Parecia pálido e nem um pouco animado. Parecia comigo. Teve um momento em que eles começaram a cantar uma música chamada “Rock Me”. Todos cantaram, menos ele. Na verdade, ele estava chorando. Isso definitivamente não era normal.

                Desliguei a TV rapidamente. Meu buraco no peito estava cicatrizando. Assistir tudo isso era como derramar álcool em cima. Deitei na minha cama e tentei dormir. Sem sucesso. Meu celular tocou, era Flora.
— Alice, você... Estava assistindo TV? No mesmo canal de sempre?
— Sim.
— Então... Você viu?
— Sim.
— Alice, isso não pode ficar assim. Você viu como ele está, igual a você.
— O que quer que eu faça? Não tenho como fazer nada!
— Você já ouviu a música em que Harry chorou?
— Não.
— Ouça. Depois você fala comigo. Até.
                Eu não deveria fazer isso. Tinha que ficar na minha cama grande e confortável. Tentar dormir, por mais cedo que seja. Tinha que esquecer tudo o que vi. O único problema é que eu sou jornalista. E jornalistas são curiosos.
                Liguei meu notebook. Procurei “Rock Me”. Tinha mais de 1 milhão de resultados. Entrei num site de letras. Como a internet era uma merda, demorou muito. Assim que a página carregou, comecei a ler.
Você se lembra de verão 2009?
Quero voltar para lá todas as noites
Não posso mentir, foi o melhor momento da minha vida
Deitado na praia enquanto o sol se põe
Tocando violão ao redor da fogueira
Oh, minha nossa! eles não podem nos parar

Eu costumava pensar que eu estava melhor sozinho
Por que eu quis que você fosse embora?
Sob o luar enquanto olhava para o mar
As palavras que você sussurrou eu sempre acreditarei


Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeah
Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeah
Eu quero que você pise fundo na tábua, me mostre que você se importa
Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeah

Sim, nós estivemos juntos no verão de 2009
Quero rolar de volta igual ao 'avança e retrocede'
Você era minha e nós nunca dissemos adeus, eu-eu-eu

Eu costumava pensar que eu estava melhor sozinho (melhor sozinho)
Por que eu quiz que você fosse embora? (fosse embora)
Sob o luar enquanto olhava para o mar (olhava para o mar)
As palavras que você sussurrou eu sempre acreditarei

Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeah
Eu quero que você me agite, me agite,me agite, yeah
Eu quero que você pise fundo na tábua, me mostre que você se importa
Eu quero que você me agite, me agite, me agite yeah

A-g-i-t-e a mim de novo,
A-g-i-t-e a mim de novo,
A-g-i-t-e a mim de novo,

(eu quero você para)
A-g-i-t-e a mim de novo,
A-g-i-t-e a mim de novo,
A-g-i-t-e a mim de novo,

Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeahh
Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeah
Eu quero que você pise fundo na tábua, me mostre que você se importa
Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeah

Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeah
Eu quero que você me agite, me agite, me agite, yeahh
Eu quero que você pise fundo na tábua, me mostre que você se importa
Eu quero que você me agite, me agite, me agite

Yeah

sábado, 6 de julho de 2013

Rock Me - 4º capitulo



— Por favor, não faça isso.
— Porque?
— Porque eu não quero me apaixonar por você.
                Eu já estava saindo da piscina novamente, quando ele segurou minha mão. Continuou olhando para mim com aqueles olhos intensos, que naquele momento tinham mais que apenas intensidade. Isso não era bom.
— Porque não quer se apaixonar por mim?
— Porque eu não sou como todas as outras pessoas que você já se relacionou, Harry. Eu não sou assim.
— E se eu te dissesse que realmente gosto de você?
— Não acreditaria. Já posso ir embora?
— Não quero que vá embora. Fique aqui, comigo. Eu preciso de você.
                Não sei porque não fugi quando tive a oportunidade. Minha mente estava confusa. Eu deveria ir embora. Mas eu queria? Não seria melhor se eu ficasse e aproveitasse o presente que a vida estava me dando? Eu não sabia a resposta para as perguntas, mas acabei ficando.
— Eu... Não sei o que fazer.
— Fique. Não precisa ser durona o tempo todo.
                Agora eu estava sentada na beirada da piscina. Ele já tinha soltado minha mão. Estava confiando em mim. Olhei para as estrelas, tentando organizar meus pensamentos. Era difícil pensar com alguém te observando, mas fiz isso.
                O primeiro fato é: Eu estou apaixonada. O segundo fato é que eu poderia ter impedido isso, mas não fui rápida o bastante para perceber o que estava acontecendo. E o terceiro fato, é que eu queria que ele me beijasse agora.
                Não sei se foi força de pensamento ou qualquer uma dessas idiotices de hoje em dia, mas ele se aproximou de mim. Não me beijou realmente, mas nossos lábios se tocaram. Como reflexo me afastei um pouco.

— Não se afaste. Entre na piscina.
                Meu erro foi ter entrado. Eu sabia que se ele me beijasse de verdade, eu não iria ter forças para ir embora. E foi o que aconteceu. Eu não consegui fugir quando ele chegou perto demais novamente. Perto o suficiente para me beijar calorosamente.

¥
— Eu disse que você estava apaixonada!
— Tá, legal. E daí?
— Você vai namorar com ele?
— Eu não posso.
— Porque não? Iriam ser um casal lindo!
— Flora, eu vou morar em Los Angeles. Vou ganhar minha passagem na sexta que vem. Se me envolver demais, talvez não consiga ir.
— Eu tinha me esquecido disso.
— Pois é, eu não. Péssimo momento para uma primeira paixão.
— Alice, eu sei que você vai dar um jeito.
— Que jeito, Flora? Eu vou para o outro lado do mundo! Ele vai ficar bem distante de mim, em Londres!
— Fique calma. Olha, vocês já...
— Nem termine a frase. É claro que não!
— Então será mais fácil. Vocês ainda não tem uma conexão física...
— Me poupe desse discurso.
— Tudo bem, então o que vai fazer?
— Bem, acho que não conseguiria me distanciar agora, então vou continuar agindo como se nada estivesse acontecendo.
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                Harry queria ler meu livro de qualquer forma, então formei uma condição. Já que a história era em português, eu teria muito trabalho para traduzir para inglês. Então ele teria que aprender minha língua.
— Tudo bem, eu aceito sua... Condição.
— Bem, devo informar que a língua portuguesa é uma das mais complexas do mundo. Boa sorte.
                Por causa de alguns shows, ficamos alguns dias sem nos ver. Flora me chamou para a minha ultima balada antes de viajar. Quer dizer, ela não chamou. Obrigou, seria o termo mais correto. Foi horrível.
                Na segunda, fomos na piscina exclusiva novamente, para ver o pôr-do-sol. Foi romântico até demais. Flora ficaria encantada. Era tarde quando resolvi ir embora, e ele quis que eu ficasse.
— Mas Alice, você mora muito longe. Pode ser perigoso.
— Tá, essa foi uma péssima desculpa para me fazer ficar.
— Por favor, fique. Eu prometo não fazer nada... Que você não queira.
                Eu realmente não sei porque aceitei. Iriamos dormir na mesma cama, lado a lado. Não deveria me preocupar tanto. Se Flora soubesse, iria rir de mim. Ela já estava acostumada com tudo isso.
                Eu e ele nos deitamos juntos na cama. Harry meio que me abraçou, como se quisesse... Me proteger. Por incrível que pareça, era bom. Ele acariciou meu cabelo beijou mau rosto. Cuidando de mim. Que meloso. De qualquer forma, logo eu estava dormindo.

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— Alice? Você está acordada?
— Agora estou. O que você quer?
— Eu queria saber se está disposta a... Ficar comigo.
                Eu entendi a mensagem, mesmo estando sonolenta. Não pude responder, ele me atacou. Beijou me calorosamente, deixando-me embaixo de seu corpo. Não consegui interromper, e nem queria. Bem, o resto vocês já sabem.

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                Olhei para o relógio. Eram 9 horas da manhã! Flora deveria estar se perguntando porque eu estava demorando. De repente, lembrei-me de porque estava atrasada. Droga. Me levantei com pressa e vesti minha roupa.
— Bom dia, Alice.
— Oi. Tchau.
— Porque a pressa?
— Flora deve estar se perguntando onde estou.
— Ah, entendi.
— Nos vemos depois.

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— O que? Você não está falando sério.
— Não, estou mentindo. Eu te contei para nada.
— Finalmente! E então, você gostou?
— Por favor, não me faça perguntas idiotas.
— Tá bom. Quando você vai vê-lo de novo?
— Provavelmente hoje à noite. Depois só na quinta, um dia antes de receber minha passagem.
— Você vai se despedir dele?
— Eu não sei. Seria pior para mim.
— Alice, ele vai descobrir uma hora ou outra.
— Não me diga. Eu vou para casa, ainda tenho que encaixotar algumas coisas.
                Guardei todos os meus livros e decorações. Lençóis e toalhas também foram para as caixas. Estava muito cansada quando terminei. Depois de tomar banho e me vestir, Harry me ligou.
— Alice, será que... Você não gostaria de vir aqui?
— Preciso de um bom motivo.
— Para continuarmos o que não terminamos ontem. É motivo o suficiente?
— Acho que sim. Chego ai em 15 minutos.